quinta-feira, fevereiro 03, 2011

A bruxa

Cristina era uma socióloga respeitada. Especializou-se no estudo da época da inquisição, quando, sob o manto da igreja, pessoas eram queimadas sob acusação de bruxaria. Através de suas pesquisas concluiu que, na maioria das vezes a perseguição era política, os acusados nunca haviam se envolvido com satanismo. Alguns casos pareciam típicos de doentes mentais, que mais deveriam ir para o sanatório que para fogueira. Um caso, contudo, chamou-lhe a atenção: Catarina, uma mulher do século XVII, queimada num povoado do interior, conhecida como a maior das feiticeiras. As lendas que dela se contavam perduravam até os dias atuais, sobre seu poder e maldade. Morrera queimada, jurando vingança. Cristina viajara para a cidade que se desenvolvera perto do antigo povoado onde a bruxa teve seu fim. Verificou que ,apesar dos séculos, as pessoas conheciam histórias sobre ela, havendo inclusive aqueles que jurassem ter visto reunião de demônios comandados por Catarina em um vale próximo. Cristina ia assim juntando material para uma nova tese, sobre o imaginário popular. Algumas coincidências, porém, logo chamaram-lhe a atenção. De tempos em tempos sumiam crianças na região, que nunca eram encontradas. Assim como começavam, os desaparecimentos terminavam. Catarina era considerada culpada, mesmo séculos após ter morrido. O fato é que nunca qualquer pista foi encontrada. Justamente após sua chegada na cidade, crianças começam a sumir, sem deixar vestígios. Havia mais de cinqüenta anos que aquilo não acontecia, portanto não poderia ser a mesma pessoa. Três garotos estavam desaparecidos. Não havia pista alguma, uma testemunha que fosse. Cristina envolveu-se com as investigações. Sentia que, se desvenda-se aquele crime, poderia explicar a estranha influência que aquela lenda exercia sobre a população daquele lugar. Passado algumas semanas nada de novo havia sido descoberto. Das outras crianças não mais foram vistas. O delegado local pensava até em pedir ajuda federal. Cristina não dormia direito, procurando, pela lógica, encontrar uma solução. Um dia a socióloga aparece na delegacia. Não havia dormido a noite anterior. Apesar de cientista tinha uma intuição. Visivelmente alterada, pediu ao delegado que a acompanhasse com alguns policiais. Foram ao local onde, pelos relatos que descobrira, Catarina havia cumprido pena. Era um pequeno vale. Movida por uma força estranha, Cristina, com as mãos escava o sopé de um morro próximo. A terra estava fofa. Os pequenos ossos não demoraram a aparecer. Ao ver tudo aquilo, o rosto de Cristina se transformou. À vista incrédula dos policiais, ela começava a gritar palavras incompreensíveis. Era como se duas almas lutassem por um só corpo. Suas feições iam, aos poucos, se transformando. Ela despiu-se até que, completamente nua começou a dançar freneticamente, num ritmo cada vez mais rápido, começou a levitar. De seus olhos, emanava o próprio mal. Cristina havia sacrificado aquelas crianças. Sem saber, seu corpo fora apossado por Catarina, que assim executava a sua vingança.

Lenda de Samira

Fonte: Mr Malas

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domingo, maio 10, 2009

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça


Há muitos anos em uma cidade do interior de MG chamada Ibitipoca, conta-se a lenda de um cavaleiro que a meia noite saía a cavalgar ao redor das fazendas, e que ao encontrar alguém, decapitava e colocava o seu corpo nas cercas. Diz a lenda que há 166 anos um rico dono de minas de ouro se apaixonou por uma linda jovem filha do governador da província. Ao saber do amor do rico fazendeiro a jovem que ouvia boatos sobre a arrogância e o jeito que o mesmo tratava os escravos resolveu negá-lo. Com raiva, o fazendeiro saía a cavalo à meia noite e decapitava as pessoas que encontrava. Ao desconfiar das saídas do seu patrão o capataz resolveu denuncia-lo. Logo o capataz foi morto e seu corpo, sem cabeça, foi encontrado na cerca da fazenda. Com isso o povoado se moveu contra o fazendeiro, o capturaram e o decapitaram. Hoje ao redor da vila ainda se pode escutar o galope de cavalos em disparada e gritos de pessoa implorando por sua vida.


* Lenda de Rogi e Odrep

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quinta-feira, dezembro 18, 2008

Prendas malditas

A Soraia e a sua família passavam as festas na montanha. Eles adoravam passá-las lá porque nevava sempre e era tudo muito bonito. Naquele ano, Soraia estava impaciente por ver o que encontraria debaixo da árvore de Natal. Tinha pedido coisas super giras! No dia 25 de manhã não conseguiu esperar mais e apesar de os pais ainda não se terem levantado, abriu as prendas. Era bom que nunca o tivesse feito porque nos embrulhos não estava o que ela esperava. Na primeira prenda havia uma mão, a do seu pai! As outras prendas eram outras partes dos corpos dos seus pais... Ela saiu para a rua em pijama, e atrás dela também saiu o assassino! No dia seguinte encontraram o cadáver da Soraia sob as águas congeladas de um lago...

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domingo, julho 01, 2007

Não adormeças na viagem!


Os pais tinham deixado tudo bem claro: se quisesse ficar mais uma semana na aldeia, teria de regressar sozinha no 47, o autocarro mais foleiro, velho, malcheiroso e desconfortável que fazia o trajecto Manteigas-Aveiro! Mas como iria curtir bué, Miriam não pensou na infernal viagem de regresso. Por isso, aproveitou as festas da sua aldeia até ao último segundo, e sem ter dormido, sentou-se naquela lata velha com rodas. O ronronar do motor fez com que ficasse K.O. e ela entrou num estado de sono absoluto, perdendo a noção do tempo e do corpo. De repente, o autocarro fez uma travagem e a Miriam acordou. Olhou para a mulher que estava ao lado... Que estranho, não se lembrava de nada! Olhou para a paisagem: seria possível estar a nevar em pleno Agosto? Porque é que todos os passageiros tinham casacos de pele e botas? Porque é que todos tinham os olhos rasgados? De repente, olhou para as mãos e os pés: quem é que os tinha atado? Queria gritar, mas não tinha voz! Onde estava? O que lhe tinham feito? E enquanto sentia uma lágrima pelo rosto viu uma placa que dizia: «Lapónia». O que fazia na terra dos esquimós? Quanto tempo teria dormido? O que aconteceu? E como iria regressar a casa sem saber a língua e com apenas um euro?

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quarta-feira, abril 04, 2007

Uma aldeia perdida


Acontecia sempre o mesmo, chegava sempre atrasada! Por isso nem pensou duas vezes antes de seguir por um atalho e se enfiar na floresta com o seu jipe. Tinha um casamento noutra cidadd e não podia perder tempo. O jipe foi atravessando por entre arbustos e silvas até que, de repente, parou. Laura percebeu imediatamente que tinha ficado atolada num lamaçal. A sua única hipótesse seria caminhar até à estrada principal... Foi então que encontrou uma pequena aldeia muito estranha. Nem queria acreditar quando percebeu que se tratava nada mais, nada menos do que de uma civilização perdida na floresta! Uau... Viviam como há trezentos anos atrás: não tinham electricidade, deslocavam-se em carros puxados por animais e usavam roupas antigas. Incrivel, mas real! No entanto, o que mais lhe chamou à antenção foi o facto de só haver homens naquele local. Que estranho! A Laura hesitou bastante antes de lhes pedir ajuda mas o que mais podia fazer? Não tinha outra opção... A aldeia acolheu- muito bem, deram uma festa em honra dela e conversaram horas. A Laura queria perguntar-lhes pelas mulheres, mas decidiu não se intrometer.Agradeceu-lhes toda a sua atenção e disse-lhes que tinha chegado a hora de sair dali... Mas os estranhos habitantes tinham outros planos para ela. No casamento todos se perguntavam porque é que a madrinha não aparecia, mas já era demasiado tarde. Aquela aldeia continuava sem mulheres...

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sábado, novembro 04, 2006

O labirinto


Dizem as pessoas da aldeia que o labirinto do parque está amaldiçoado. Sim, sim, esse que viste detrás da grade. Esse que tem umas sebes de mais de dois metros de altura, que não deixam passar a luz do Sol. Pois bem, costumam dizer que quem entra, não sai.
Foi desenhado por um homem que perdeu a cabeça e só queria causar dores de cabeça às pessoas da aldeia. As crianças não acreditam na história e mais de uma vez tentaram entrar, mas eu tento assustá-las para que não o façam. Porque sei que é verdade. Sei o que é vaguear perdido no labirinto durante toda a eternidade.

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